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domingo, 29 de outubro de 2017

WRITOBER #29 - Fission Mailed

Mshindo9



A mulher carregava a outra nos braços. Entraram na escuridão, deixaram os corpos sem vida dos companheiros para trás e chegaram à naveta. Em breve estariam fora dali.

*

"Hey, hey, hey, Bonna. Bonna Fide. Leve-me consigo, por favor" soou a IA Ding e Bat da biblioteca que os tinha acompanhado no resgate.
"Para quê?" A pirata estacou frente a um terminal.
"Vim convosco para aprender, para conhecer este novo planeta. Perder a oportunidade de descer e aprender em primeira mão é um erro crasso. Meta-me num emanante e nem dará por mim."
Vinte bons homens e mulheres separaram-se em duas navetas. Piratas e voluntários de Xilos equipados para atacar no solo, Suzako ia a pilotar uma delas. Tinha os auscultadores ao pescoço a murmurar as suas músicas e até ele guardava uma arma. Bonna ia na outra, armada até aos pés e com a AI alojada na cintura. Pouco depois estavam a sair da Chiron em direcção ao planeta.
Uma breve análise mostrou poucos sítios para aterrar, mas havia um. A IA informou Bonna que era o melhor sítio para aterrar. Havia várias navetas em baixo, mas poucos alvos. Quando esta sugeriu outro sítio, a IA recusou. O solo daquele planeta era irregular e fora algumas áreas seguras, mas longe, estava coberto por alguma coisa que não conseguia identificar.
Os mercenários em terra dispararam assim que as navetas se aproximaram, mas a vantagem da altura não estava do lado deles. As navetas rodearam os alvos e não demorou muito até serem abatidos.
Saltaram ainda antes de tocarem no chão e correram em frente, para lá das navetas e dos corpos dos mercenários.
Era de noite e não conseguiam ver bem onde estavam, mas para além de pequenas construções pré-fabricadas, aquele terreno parecia que tinha visto um grande incêndio: árvores e chão negros como a noite mais escura. A IA sugeriu que não era natural, talvez aquele sítio era o melhor para aterrar porque foi preparado antes de chegarem, possivelmente pelos mercenários. Então, o que queimaram? Os focos das armas faziam um mau trabalho a iluminar para além da barreira de árvores carbonizadas. O cheiro, alguns repararam, era de carne queimada.
O céu iluminou-se num clarão e por momentos conseguiram ver onde estavam. Algumas barracas e uma floresta enorme que se prolongava para lá daquela clareira.
Guilass deixou três guardas nas navetas, com Suzako, dividiu três grupos e ordenou dois deles para inspeccionar as barracas. Seguiu com o último para dentro da floresta que não estava queimada, em direcção da última localização de Guilass.

A primeira vez que Suzako viu combate de perto até se safou muito bem. A adrenalina bateu e quando deu por si a arma estava-lhe na mão e era-lhe confortável. Isso aconteceu quando uma patrulha de mercenários saltou da orla da floresta, chamados pelos colegas abatidos. Os três soldados quase que foram apanhados de surpresa, mas defenderam-se. Uma foi baleada no ombro e sentou-se.
Os dois grupos de cinco de soldados nas barracas também entraram em combate. Os mercenários rodearam o campo e investiram de dois lados opostos, mas um deles estava mais vulnerável: o das navetas. Suzako atirou-se para o chão e rastejou por debaixo de uma naveta onde apanhou as pernas rápidas de vários mercenários que caíam com os disparos. O resto da equipa acabava o serviço. Rastejou para longe da sua naveta para repetir a estratégia. E foi quando o viu: Tieton. Ele não estava na Heracles. O Capitão pirata berrava ordens de comando, parecia desesperado e para lá de raivoso. Ele pode ver-lhe as expressões quando alguma coisa rebentava perto e rapidamente desaparecia. Isso podia jogar a seu favor e contra. Rastejou apenas ao som dos disparos, a controlar os movimentos de Tieton que olhava para o céu a berrar. Era a oportunidade perfeita para se aproximar e foi o que fez.
Aliados e adversários morriam dos dois lados e tiros voavam para cada lado e eles os dois ali. Tieton disparou e abateu alguém que Suzako não viu. Suzako encostou-se a um tronco negro, preparou a arma e aproveitou a luz de uma explosão para procurar o Capitão. Estava mesmo ao seu lado a disparar para um companheiro. Levantou-se e disparou duas vezes, o primeiro só chamou a atenção de Tieton e o segundo foi ao ombro.
O Capitão de Heracles nem o conhecia. Não sabia da sua música, do seu receio de combate, da sua indiferença e do seu coração bom. Ergueu a arma e disparou duas vezes sobre Suzako. Caiu de costas. Tieton avançou sobre ele a disparar, acertando mais dois no peito. O pirata músico cuspia sangue e vida, a música saía-lhe pelos auscultadores e o último beat que compôs foi de génio: Tieton cresceu sobre a sua cabeça e ia acabar com ele, mas Suzako foi mais rápido. O braço levantou a arma do chão, em direcção à cabeça do Capitão. Disparou uma vez. O outro tombou em cima do pirata. À volta deles, o combate continuava. Antes de expirar, Suzako assistiu à coisa mais bela e triste de todo o sempre: o céu iluminou-se como se fosse dia, como se as estrelas naquele céu tivessem passado a supernova, como se chorassem, mas não por ele. Não...

*

Bonna ouviu os disparos atrás de si, mas quando se preparou para regressar, a sua própria patrulha viu-se emboscada. Apenas esperava que o camarada tivesse mais sorte do que ela, pelo menos em vantagem numérica. Quanto ao resto, não podia fazer mais e tinha muito com se preocupar. A IA tentou falar consigo várias vezes, mas Bonna não estava para isso. Ignorou-a e ignorou a luz intermitente do comunicador. Todos pareciam querer falar consigo, mas ela não podia atender.
"Escrevam a porra de uma carta!" berrou enquanto disparou uma rajada na direcção das árvores. O céu cobriu-se de um manto laranja e parecia que estava a amanhecer no fim do mundo. Durou segundos, mas o suficiente para ela registar os inimigos.
E quando o combate terminou do lado dela já ninguém lhe ligava, mas a IA tinha uma gravação da Chiron...

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